quarta-feira, 2 de março de 2022

Metrópole.2.0.2.0.

 Muros de concreto.

Carros de papel.
Janelas sem fim.
Portas de hotel.

Mentes apagadas
no meio da fumaça.
Gente afogada
em sua própria desgraça.

Corações esfarrapados.
Linhas verticais.
Horizonte perdido.
Encontros acidentais.

Árvores abstratas.
Os envelopes não entregues.
A falta de simetria.

De mesa em mesa.
De bar em bar.
A cada novo gole
tudo vai melhorar.
De mesa em mesa
de bar em bar
a cada novo trago
tudo vai mudar.

De volta à rotina:
dias cinzas, avenidas.
O tempo sendo atropelado,
coisas esquecidas.

Dobraremos nossa dose de Rivotril
E a sanidade escorreu pelos dedos,
ninguém viu.

A poesia é assim
nestas esquinas infinitas.
O ego alimentado
e a consciência em dívida.

Vidas retraídas,
introspectivas.
A luta contra as cicatrizes
continua sempre viva.

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