segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Loucura

o tempo é curto,
as poucas histórias:
desatinadas, impetuosas.

"eu acordo com medo",
vamos seguir em frente por essas linhas sinuosas?
prometo não pisar nas rachaduras.

vamos conversar sobre o futuro?
eu disfarço a minha condição,
você me ajuda mesmo sem saber.

queremos novas experiências,
esqueçamos as tempestades oceânicas,
deixemos nas entrelinhas.

a minha inquietude tem cura,
não há loucura quando não compartilhada,
sigamos em frente...

Tudo passa, passará.

- Essa coisa que nós sentimos passa?
- Que coisa? 
- Que sentimos no meio do peito.
- Como assim?
- Difícil explicar.
Deu um branco na mente e de súbito, sem saber o porquê, ficou com raiva, desligou o telefone e se manteve frustrado o resto do dia.





Acaso I

Navego pela minha existência,
atravesso meandros cotidianos,
me confundo com desarrumações,
me alucino, me encontro, me perco:
em papéis com frases intimistas,
com bocejos matinais,
sonhos de outrora,
novas despedidas,
meras expectativas.

Tudo desapareceu.
Desatinei 1/4 de lucidez,
Emerji claridão.
Fomos acaso, então?
Espelhos renovarão o tudo,
o nada,
o são.

Aconchego

Quero te esperar.
Pra onde for.
Será arte furta cor?
Rajada de vento?
Tempestade fria?
Uma calmaria, uma brisa?
Um dia?

Vem, vamos embora,
pra outro lugar
onde a gente possa
falar de planetas,
de coisas estranhas da vida,
de estrofes, da humanidade,
das nossas feridas.

Somos faíscas,
monotonia.
Em meio a pequenas
belezas perdidas,
e velhas histórias
de repetições em
novos dias.